Porque temos que ser todos iguais?

“Independência ou morte” foi gritado às margens serenas do Rio Ipiranga em 1822, mas não é bem isso que vemos na estrutura comportamental social no Brasil e do mundo. Porque temos que ser iguais ou nos enquadrar num padrão hegemônico pré-estabelecido.
Em movimentos como a última Parada Gay de Salvador no domingo (12) Gays, lésbicas, transexuais, Drag’s Queen, travestis, transformistas e simpatizantes se uniram numa tarde nublada nas ruas no centro da capital baiana.

Ser e expressar o que realmente é ou o que gostaria de mostrar não é simples. Existem barreiras sociais que são reconstruídas, transformadas, adaptadas e algumas mantidas. O preconceito é algo mutável e esperto, sabe se camuflar muito bem. Se mostrar um homem feminino ou uma mulher masculinizada (estereótipos não comuns ou aceitáveis) tem data marcada. A estrutura da festa alimenta o imaginário dos integrantes a liberar fantasias ou vontades acumuladas. O gueto gay ganha as ruas da cidade.

Ana Carolina fez um desabafo tomada de emoção enquanto caminhava ao lado de um dos trios da passeata. “Tenho orgulho na minha orientação sexual. Quero ser aceita, ser eu mesma em qualquer lugar do mundo”, conta Carolina.

“Já conquistamos muita coisa. Meu companheiro poderá receber benefícios quando eu morrer. Só falta a legalização do casamento homossexual. Acredito que movimentos como esses sirvam para mostrar ao mundo que existimos, estamos crescendo em população, e que não somos doentes e sim diferentes”, relatou Paulo Reis e Marcos André, casados há seis anos.

A celebração que tem como símbolo o arco-íris como forma de respeito para aprender a conviver com o diferente é o grande tema ideológico do movimento. Ainda será preciso repetir essa data por muito tempo até que as paradas gays aconteçam diariamente e a sociedade não se importe com a expressão cultural alheia. “Não precisa gostar do jeito que eu sou, o necessário é me respeitar”, frase de Jeferson Souza, 25.

Um fato pitoresco dessa Parada foi a presença do padre católico Alfredo Dórea, sacerdote que dá palestras e realiza movimentos de conscientização para o público GLBT.  “Acho que Deus criou a diversidade. Imagine que fossemos todos iguais, não teria graça, né? Daqui a alguns anos a pergunta feita será: Você está bem, está feliz? E não com quem você se deita, ou transa. Acredito que com consciência e informação as coisas possam mudar”, afirma padre Alfredo.

Palestra do Padre Alfredo – parte 1

Palestra do Padre Alfredo – parte 2

Veja mais:

Professor Godoy – Curta vencedor de 4 coelhos de prata no 17º Festival Mix Brasil

Confissões da Divina Valéria à Rádio Metropole

Só por amar diferente – Vídeo sobre o respeito à diversidade

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~ por Luiz Ribeiro em 16/09/2010.

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