Como se comportar nas ruas?

– Largue minha mão rapaz! Você já esta grandinho para isso.

O fragmento acima foi um diálogo de uma pai com o filho quando passeavam no parque de diversões. O filho, com 16 anos, tem um medo anormal dos brinquedos, mas o machismo do pai não permite esse ato de amor e carinho em público.

Dar as mãos nessa hora é admitir um tipo de fraqueza, de doença, de problema?   

Qual o limite de idade para andar de mão dadas?

Quais circunstâncias podemos dar as mãos?

Quais tabus estão inseridos nesse ato físico?

Isso existe com ambos os sexos?

Exigir o mesmo comportamento de todos é algo surreal, pois não somos iguais. Existem pessoas mais carinhosas, grudentas, pegajosas, amorosas e pessoas mais ríspidas, casmurras, introspectivas, calorentas, individualistas que reagirão diferentemente ao toque, a gestos de carinhos com abraços, mãos dadas, beijos, etc.

“Não gosto de andar abraçado com ninguém. Sinto muito calor e aquele contato físico me incomoda. As vezes cedo quando estou interessado na pessoa, mas muito pouco. Pensam que sou frio”, conta Eduardo Lima, 22.

Entre pessoas do mesmo sexo as restrições são voltadas ao público masculino. “Homem que é homem não anda de mãos dadas com outro marmanjo. O que vão pensar? Só os gays fazem isso”, afirma João Pedro, 19.

Esse é um pensamento coletivo da maioria dos homens. São raras exceções. Quero deixar claro que estou falando da nossa cultura, brasileira, ocidental. No sul da Ásia, por exemplo, não só casais andam de mãos dadas; homens também o fazem, é até um sinal de amizade.

Há também um simbolismo no soltar as mãos. Pelo menos quando são dois homens e a relação deles é de pai e filho. O pai determina uma idade de soltar a mão do filho simbolizando maior idade e ou responsabilidade. “Você esta crescido e pode caminhar com as próprias pernas. Foi o que meu pai disse quando eu tinha 14 anos”, relata Pedro Luís, 48.

Carinho, namoro, amor, posse são sentimentos relacionados ao ato de andar de mãos dadas. Sobre o item amor, não precisa ser necessariamente o amor carnal entre um homem e uma mulher ou entre homens e ou mulheres e sim um carinho incondicional, uma permuta de confiança, de gostar, de cuidado, atenção.

“Eu gosto de andar de mãos dadas, mas as pessoas se incomodam com a transpiração excessiva das minhas mãos. O gesto me passa sensação de amizade, confiança, amor. Não é qualquer pessoas que você abraça, aperta a mão, ou faz carinho no rosto. Muita gente eu cumprimento com os beijos falsos no rosto. Para mim beijo no rosto significa frieza ou falta de intimidade”, descreve Aline Lima, 22.

Não conseguimos encontrar a origem do ato de andar de mãos dadas. Esse ponto é inexato. O fato de andarmos de mãos dadas nos acompanha desde a infância quando nossos pais e ou familiares nos auxiliam a aprender a andar. Quando somos crianças maiores nos dão as mãos em forma de observação, cuidado; quando entramos na adolescência as mãos representam um guiar, um acompanhamento, uma amostra dos caminhos “corretos”, um auxílio; e a soltura ocorre quando atingimos a maior idade (idade que diverge para meninos e meninas). Após a vida adulta a representação, petrificada, que se tem de duas pessoas de mãos dadas é geralmente de relacionamento amoroso.

Dar a mão a alguém significa ajudar esta pessoa; é a expressão de um amparo que pode ser prático, mas é emocional também” (Moacyr Scliar)

Logo vemos que é algo muito macro para ser discutido em poucas linhas. São muitos pontos de vista, possibilidades, muitas histórias de vida, formas de estar ver e viver no mundo.  

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~ por Luiz Ribeiro em 21/03/2010.

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