Como e para que falar de sexo?

Escrevo para Revista Antimatéria, on line, na editoria comportamento. Meu objeto de trabalho é a observação da sociedade brasileira com um recorte para Salvador. Em um dos meus posts escrevi sobre sexo, como nos comportamos perante o assunto e seus contextos.

Assisti nos telejornais uma nova moda que esta fazendo a cabeça dos adolescentes nordestinos. Importamos mais um modismo global. O novo adereço de vaidade são as pulseiras coloridas do sexo. Pulseiras de um material que lembra borracha, facilmente quebrável que traz um significado para cada cor. Conotação sexual exposta em cores nos braços dos adolescentes e adultos.

Os simbolismos vão dos mais inocentes como selinho aos mais completos como a branca e a dourada que dão direito a uma cena de sexo contendo os significados de todas as outras pulseiras. Mais uma vez a sociedade e ou as comunidades conseguiram criar uma formatação estratégica de comunicação visual. Quem possui o código consegue manter uma comunicação direta com indivíduos possuidores dos mesmos códigos. Quem está de fora da cena fica paralelamente distante da comunicação comunitária achando que as pulseiras são só mais um adereço adolescente inocente.

Para utilizar o simbolismo da pulseira o interessado deve quebra-lá. Imediatamente o alvo concederá a dádiva da referida cor.

Alguns jovens afirmam que compraram e utilizam as pulseiras porque são belas. Mesmo assim sabem os simbolismos contidos nos objetos de decoração corporal. Cada dia vemos casos de sexo explícito nas escolas, nos banheiros e provadores de shoppings, vinculados à internet.

Me pergunto para que tudo isso? Ontem no ônibus estudantes amontoados no fundo do coletivo falavam de sexo de uma forma escrachada e vulgar. “sua mãe é uma prostituta” afirmava um estudante. Todos os outros caíram na gargalhada. Eles falavam alto, gritavam as vezes,  quebrando o silêncio da viajem e desrespeitando o espaço das pessoas que não integravam o grupo de jovens.

Por que falar e expressar fisicamente a sexualidade? Sexo é algo tão complexo e complicado? Alguns populares e estudiosos afirmam que são questões culturais. Fomos, a maioria, criados achando que sexo era pecado e seria de bom tom que sua intimidade fosse mantida em sigilo absoluto.

Outra cena, no mesmo ônibus me deixou pensativo. Dois meninos dividiam o mesmo acento, um no colo do outro, de uma forma carinhosa. Os amigos e colegas compartilhavam daquela particularidade homossexual com naturalidade. Por que aceitamos algumas coisas quando se tratam de amigos e parentes próximos e exercemos preconceito com outras pessoas distantes?

Nesse texto me sinto aberto para questionar e abrir possibilidades de divagação, ponderação e resignificação da atual postura social. Somos seres sociáveis e precisamos respeitar a diversidade. Lembrando que respeitar é diferente de entender e ou gostar, mas respeitar com soltura a decisão e as escolhas dos outros. Sem criar amarras, sem causar incômodos, sem precisar camuflar suas emoções e ou sensações. Por que não ter um amigo gay, negro, evangélico, muçulmano, candomblecista? Um padre, amigo meu diz: “Para que perguntar com quem a pessoa dorme? Quero perguntar: como está seu coração, você esta amando, tem feito o bem, tem perdoado?”

Pensemos!

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~ por Luiz Ribeiro em 16/03/2010.

Uma resposta to “Como e para que falar de sexo?”

  1. ola bom conhecervos

    e para dizer-vos que adorei a voça

    materia sobre algo mais peculiar do ser

    humano.

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