Como será?

Estava pensando em toda essa movimentação de comemoração e preparação do Rio de Janeiro após ser escolhida como sede dos jogos olímpicos de 2016. Perguntei a uma professora de economia sobre o lucro que teria tudo isso. Ela me respondeu que nenhum, pois o lucro seria inferior aos gastos com infra-estrutura.

Mais uma vez comeremos amendoim e arrotaremos caviar. Por um instante, lembrei daqueles personagens de novela que foram ricas e tinham uma vida cheia de luxo e de, uma hora para outra perdem tudo e vivem de aparência. Vamos fazer pose bonita para todo o mundo ver que aqui também se faz festa de qualidade e que o Brasil pode arcar com esse empreendimento.

Claro que o governo morrerá afirmando que os investimentos serão destinados à população e ao esporte nacional, mas de alguma forma esse investimento sairá dos nossos bolsos. Ao mesmo tempo, nos noticiários o governo tenta justificar o provável atraso no pagamento do imposto de renda, alegando falta de dinheiro nos cofres públicos decorrente ao baixo recolhimento de impostos. Quem fica com a imagens suja? Nós os bobos da corte, macacos de circo, manipulados e adestrados.

Quero saber o que farão para eliminar a violência urbana nacional. Acho que será impossível. A provável e melhor solução será adaptar as modalidades esportivas à nossa realidade atual.

Pelo jeito vamos acrescentar nos jogos algumas peculiaridades cariocas. Vamos ter tiro ao alvo com a bala achada; nado livre durante as enchentes; canoagem nas enxurradas; corrida de obstáculos onde o corredor terá que atravessar as avenidas congestionadas da cidade maravilhosa; assalto em distância – com os traficantes e políticos que mesmo presos e ou afastados dos cargos públicos continuam comandando o contexto ilícito. E para encerrar a ginástica de solo nas calcadas e ruas esburacadas – só perde quem cair em algum buraco, tropeçar em algum mendigo, criança abandonada ou num entulho.

Imagino a corrida de 100 metros livres. Na qual os corredores na frente e os bandidos armados atrás. Ou as maratonas onde você pode sair com roupa, celular , acessórios e voltar sem nada para casa.

Como serão e que nomes terão os mascotes dessa grande e bela festa? Bem sabe, só sei que os fogos de artifício das aberturas darão cobertura para o tiro comer solto nos morros do Rio nos quais o tráfico comenda a cena. Oh Deus, “como será o amanhã responda quem puder. O que irá nos acontecer. Nosso destino será como Deus quiser”. Que comecem as apostas.

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~ por Luiz Ribeiro em 16/10/2009.

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