O efeito contrário e diverso das palavras

Estava conversando com um militante do movimento negro e durante a conversa comecei a pensar em várias coisas ao mesmo tempo. Muitas delas tinham sabor cômico, outras me fizeram refletir e tentar enxergar a sociedade pelas óticas dos discurso emitidos através dos protesto (oprimido e opressor).

Ele me perguntou sobre meu comportamento na sociedade.

– Você honra sua cor, negão?

– Eu, meio sem jeito, respondi. Sim! Meus papéis sociais são cumpridos.

– Você faz parte de que movimento político para fazer valer seu direito de negro, gerador de respeito, lutador contra o racismo das pessoas?

– Eu, mais envergonhado ainda, respondi que até aquele momento não pertencia a nenhum grupo militante negro.

– Qual é negão, exclamou o rapaz. Se liga no movimento. Precisamos nos unir, derrubar esse sistema branco dominante. Precisamos sair dos guetos.

Não me sentia em gueto nenhum desde então. Claro que trago na minha história momentos de racismo. Nos quais fui discriminado por palavras, atitudes, olhares, mas não só pela cor e sim pelo conjunto. Hoje você tem que carregar os bolsos cheios perto do rosto para mostrar quem é.

A parte mais engraçada do bate papo fui quando o militante afirmou que seria necessário modificar todo o nosso vocabulário. Em partes ele tem razão, mas a óticas das mudanças ultrapassa o limite do racismo histórico e passa para perseguição gratuita.

– Vamos criar nossas palavras, falava o rapaz enfurecido. Nada de denegrir, dia de preto, arma branca, clarear, alisar, esclarecer, a coisa te preta, etc. Porque não debranquir. Tudo que é ruíam associam ao preto.

– Você se acha preto? Tô vendo que seu cabelo é Black, mas sua forma de vestir, andar, e seu tom de pele é mais claro. As pessoas devem dizer que você é moreninho cor de jambo.

Nesse momento fiz uma curta viagem no tempo e lembrei de um episódio que fui a delegacia dar registrar queixa e a delegada, mais negra do que eu, preencheu minha cor como pardo. Eu dizia a ela:

 – tem a cor negra?

– De ter têm, mas você não é preto.

 – Moça, porque não?

– Olha o tom da sua pele!

Eu dei risada para não chorar e me calei, pois queria sair daquele ambiente.

Voltando ao militante. Retruquei o porque do extremismo. Mesmo Concordando com muita coisa que foi dita durante a conversa, não consigo pensar na destruição da raça branca para a ascensão no povo negro. Comecei a questionar sobre essa perseguição com as palavras que tinha uma ligação com a cor clara. Todas ele rebateu com um contra-argumento.

Cansado daquele discussão resolvi me calar, pois o silencia também é uma boa arma, dizendo a ele que pensaria em tudo que tinha sido conversado, dei um tapinha leve nas costas dele e, num tom frio, disse: Quem sabe não nos batemos em algum grupo militante?

Não sou contra a nenhum movimento de inclusão social, pois acima de tudo somos seres humanos, compomos uma sociedade que requer interação. Nessas relações o respeito, a liberdade e a ética são essenciais. Não se pode fechar, limitar ou podar as vertentes de possibilidades de pensamento, reflexão, construção, destruição, reconstrução e ação das formas diversificadas de se expor no mundo.  

Nós vivemos como peixes. Com a voz que nós calamos, com essa paz que não achamos. Nós morremos como peixes. Com amor que não vivemos. Satisfeitos? mais ou menos.

Todas as iscas que mordemos, os anzóis atravessados, nossos gritos abafados! (AYDAR, 2009)

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~ por Luiz Ribeiro em 09/10/2009.

Uma resposta to “O efeito contrário e diverso das palavras”

  1. Massa Luíz… Gostei muito do texto! Vc sempre escrevendo muito bem! Adoreii a parte que não precisamos da destruição da raça branca para a ascensão no povo negro… Concordo! BeeijOs

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