Ganhos e perdas

Peço desculpas para os visitantes do blog pelo tempo sem atualização, mas eu não estava conseguindo escrever, não havia vontade. Fazer algo por obrigação, num espaço meu, mesmo on line, não existirá, pois seria sem qualidade, sem sentimento, sem a reprodução da minha subjetividade codificada em texto.

Tive e ainda estou tento dias difíceis, porém profundos em relação a reflexões. Tenho algum tempo sem emprego e a falta do dinheiro está me incomodando. Ha pouco tempo eu tinha independência financeira, dentro dos meus limites de renda (restrição orçamentária), e agora não tenho mais. Estou estagiando no jornal da instituição de ensino superior na qual curso Comunicação Social com habilitação em jornalismo, entretanto não recebo a bolsa auxilio, como é chamado, em espécie e sim, em desconto na mensalidade.

Nesse turbilhão de sentimentos passei por um namoro relâmpago que mexeu com meu ego, meus medos, estimulou minhas expectativas e terminou em desilusões, magoas, término abrupto, perda da companhia (mesmo como amizade). Estava me sentindo muito só – o tipo da solidão que existem muitas pessoas ao seu redor e mesmo assim ha solidão.

Para concluir esse período de turbulência, pois espero que tenha terminado, perdi um primo num “acidente”. Os relatos (versões) afirmam que foi bala perdida, uma realidade aparentemente distante do cotidiano baiano. Senti um mix de revolta, dor, angústia, pensamentos mórbidos e, mais uma vez, expectativas. Meu primo tinha 22 anos, uma vida saudável, tem uma filha linda que esta completando nove meses, e teve sua vida ceifada por delinqüentes inconseqüentes, motorizados (motoqueiros) que passavam pela rua onde ele morava distribuindo tiros. Ele tinha ido a esquina da sua rua comprar acarajé.

Eu estava, na casa de minha vó, em Feira de Santana, me preparando para assistir o Show da campanha Criança Esperança, sábado, 22, pela TV, quando recebemos a notícia. Todos em casa ficaram mexidos, perturbados, chorosos, angustiados e revoltados. O clima de dor e solidariedade tomaram os integrantes da família, presentes e ausentes.

Fomos, imediatamente para o Hospital Geral Clériston Andrade onde os parentes a amigos do meu primo (vítima) estavam. Ficamos no local até concluir as resoluções burocráticas (liberação do corpo, caixão, local do enterro). Particularmente eu não gosto dessas medidas fúnebres, nunca me imaginei escolhendo um caixão e graças aos Deuses não foi dessa vez. Acompanhei de longe todo o processo.

No Domingo toda a família estava apostos para auxiliar o que fosse necessário e comparecer ao enterro. Infelizmente aconteceu um contra tempo, pois o corpo do meu primo teve que vir para o IML de Salvador para passar por uma perícia que não existe em Feira pelo motivo na morte. A família do pode velar o corpo no domingo, 23, no final da tarde.

Pensamentos adversos ocuparam minha mente ao ver meu primo, morto, no caixão. Como é a minha relação com a morte? Porque sofremos tanto se é uma certeza e sabemos que teremos que lidar com isso mais cedo ou mais tarde? Será que se fosse eu no caixão a família estaria toda ao redor? Quem choraria com a minha perda? Esses e outros muitos pensamento vieram a minha cabeça. Penso muito rápido em diversas possibilidades ao mesmo tempo.

A viajem de retorno a Salvador foi só pensamentos e ajustes para não tender a um sofrimento prévio e inexplicável. Na segunda a noite consegui desabafar (a situação de grana e da perda – morte) com algumas pessoas especiais para mim que cuidaram desse estado mórbido que se fazia presente na minha energia. Após os desabafos ouvi frases incomodas, pois sei que sou muito duro comigo mesmo e o preço, muitas vezes é muito alto.

A primeira frase veio em forma de pergunta que foi: você já pensou em pedir ajuda? Admito que para mim pedir ajuda não é tão simples, pois sempre acho que as coisas irão melhoras com meu esforço próprio. Mas confesso que pensei por várias vezes em pedir SOS.

A segunda frase fio uma afirmação que foi: “você gosta de apanhar hein”! Definitivamente eu detesto sofrer, entretanto não consegui, ainda, transformar o sofrimento, que é diferente de dor, tão rapidamente quanto foi sugerido. Felizmente não me sinto estático, mesmo que existam mudanças em doses homeopáticas.

Não me sinto derrotado, mesmo colecionando um número grande de “batalhas perdidas”. Desistir não faz parte da minha caminhada.

Quero agradecer a todas as pessoas que me tratam com carinho, cuidado e atenção. Obrigado pela energia, pelas ligações, pelo cuidado.

Muito obrigado a todos. Quando se tem com quem contar o caminho se torna mais leve e prazeroso.

“Estou só na terra, ninguém se digna a pensar em mim. Todos os que vejo enriquecer têm o descaramento e uma dureza de coração que eu não sinto de maneira alguma. Eles odeiam-me por minha bondade fácil. Ah! Em breve morrerei, seja de fome, seja de infelicidade de ver os homens assim, tão duros” (FRAGA, Voltaire, 2003)

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~ por Luiz Ribeiro em 26/08/2009.

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