Comportamento Humano

Costumo a ser uma pessoa observadora do mundo ao meu redor. Nas minhas lucubrações diárias me peguei pensando na atual situação, tecnológica, estrutural e financeira, dos cinemas soteropolitanos. Durante as férias de julho visitei alguns cinemas da cidade. O Espaço Unibanco de cinema Glauber Rocha – Praça Castro Alves, Centro foi um deles. Um espaço totalmente recuperado, com uma estrutura interna sofisticada e delicada, com um belo terraço com vista para a baía de todos os santos, e exposições de artes (quadros, esculturas, painéis). O que me incomodou foi ver o espaço praticamente vazio. Assisti a uma sessão às 19h15 que tinha cerca de 15 pessoas numa sala com capacidade total para 148. Sei do contraste que o bairro tem em relação ao cinema – segurança e acesso, entretanto nada que justificasse a evasão em dia de quarta e quinta, com promoções, e no horário de pico.

Em outra oportunidade fui ver outra película no UCI Shopping Aeroclube, outra decepção com o esvaziamento do espaço. É preciso levar em consideração que o Aeroclube esta praticamente abandonado, por inúmeros processos judiciais que impedem a conclusão da reforma e reativação do primeiro Shopping em área aberta em Salvador. Na sessão programada para iniciar às 21:10, do filme Harry Potter e o enigma do príncipe, atual sucesso de bilheteria, surgiram várias surpresas. Quando entrei na sala fui recebido por um odor de mofo e poeira em seguida descobri que o ar-condicionado estava desligado. Na Sala com capacidade para 158 lugares havia cerca de 20 pessoas. Em plena quinta-feira um cinema que andava lotado nem fila para comprar o ingresso existia. Quando fui ao banheiro fiquei pasmo, pois não tinha sabonete líquido e papel toalha. Me perguntava: o que esta ocorrendo em Salvador? Lembro de como era o Aeroclube, e principalmente o cinema. Sei que os outros cinemas da cidade passam por momentos similares. Não consegui chegar a um denominador comum, nem consegui dados reais das finanças destes espaços.

Será que é reflexo na pirataria on line (internet) e dos camelôs do câmbio ilegal, que exercem suas vendas em local abertos, próximos de centros comercias e sem fiscalização ativa?

Fico triste com essa situação, pois lembro quando fazia ensino médio que um dos prazeres e points de encontros dos jovens, colegas, amigos, primos, irmãos eram os cinemas e praças de alimentação, sinônimo de diversão. Frequentei muitas quartas-feiras no 3º piso do Iguatemi, no térreo do Shopping Barra, nas vielas do Aeroclube nos quais haviam um movimento intenso de pessoas que assistiam filmes conversavam e lanchavam nos balcões disponíveis com as diversificadas opções. Será que eu mudei ou o mundo mudou? Pode ser que tenha acontecido as duas coisas ao mesmo tempo. Espero que meus filhos tenham espaço para diversão ao ar livre, e interajam com outras crianças. Desejo que as telas dos computadores não limitem o contato físico entre pessoas. Que a violência urbana não nos obrigue ao enclausuramento.

Peço desculpas aos leitores do blog pela demora no novo post, entretanto foi proposital para que a campanha do Lar Vida ficasse como tópico da página. Peço mais uma vez: Apadrinhe uma criança. Elas retribuíram com o carinho mais puro do mundo.

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~ por Luiz Ribeiro em 30/07/2009.

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