O QUE FAZER PARA SER UM BOM EGBONMI?!

•15/03/2013 • Deixe um comentário

Sou adepto ao candomblé e minha casa é da nação Ketu. Completei, em 2013, sete anos de santo e estou prestes a completar às minhas obrigações no Ilè Asé no qual fui iniciado. Me tornarei um Egbonmi em breve. Isso me deixa feliz e triste ao mesmo tempo, pois tenho tanta coisa para realizar e contribuir com meu terreiro, junto ao meu Bàbálòrísá e meus irmão de santo (pessoas que amo em escalar e proporções diferentes).

Algumas noites, antes de ir dormir, me questiono: Como ensinar uma pessoa recém iniciada a ter amor ao seu orísá?, a tratar as questões ligadas ao seu Ilè Asé com importância e dedicação? Como lesionar Asé a quem não está presente nos momentos importantes, como o Ose ou às obrigações anuais dispostas no calendário? Como se faz para ensinar responsabilidade a quem está iniciando numa religião com tantas lições de comportamento e conduta como, por exemplo, a hierarquia?

Nem sempre consigo respostas para essas perguntas e muitas outras surgem no dia a dia, dentro e fora do terreiro, principalmente para aquele que tem uma vida dedicada a religião e a espiritualidade.

No livro Meu Tempo é Agora, Mãe Stella de Òsóòsí (Ode Kayode) Ìyálorísa do Ilè Àse Òpó Àfonjá fala da importância do período de Abianato (onde o pré iniciado, nomeado Abiyan, experimenta a rotina e as regras de comportamento e conduta da casa), entre outros assuntos relevantes para a sobrevivência de uma comunidade religiosa.

Alguns irmãos meus, pelo menos os mais novos, não passaram pelo período de Abiyan e acho que podem ter se arrependido de estarem iniciados. São tantas desculpas, descaso, talvez descrença com a espiritualidade e as suas consequências, ou simplesmente inexperiência de vida, pois a maioria nem chegou aos 21 anos de idade.

Como devo chegar para minha irmã de Yemoja e verbalizar de maneira convincente a graça que ela teve ao ser escolhida por esse Orísá? Pontuar quais são as especialidades dessa energia no nosso Ilè? Encontrando uma forma e passando esse conhecimento será que isso vai modificar o comportamento cotidiano dela?

Já o irmão de Òsóòsí como o convencer que as características do orísá se misturam com o temperamento dele? Já que ele chegou no Ilè com suas concepções, ou preconceitos formados. Uma coisa difícil de modificar é a educação domestica. Como será que os pais dele tratavam questões ligadas à espiritualidade? Existia algum treino de como manipular o canal mediúnico? E se essas lições existiram, será que foram dadas de forma convincente? Como compensar essas lacunas deixadas pela família de sangue?

Espero ter paciência e tranquilidade para não hesitar na hora de compartilhar meu Àse através do verbo. Verbo esse bem colocado, estruturado, pensado e de forma coesa, contendo a minha emoção. Mostrar em ações e no meu comportamento as coisas que são válidas na formação da sociedade religiosa, com suas variações.

O que mais vale num Ilè Àse é a doação, a gratuidade. Muitas pessoas de fé, com amor no coração, sem preceitos rituais cooperam com a sua energia dentro das possibilidades. Um Ilè Àse é sempre uma escola. Devemos dar gratuitamente, sem nenhuma intenção. Primeiro se dá, para depois, às vezes muito depois, receber (STELLA, 2010 p. 138).

Nossa religião é feita de sutilezas. Passar o conhecimento adiante faz com que ensinamentos novos cheguem. É uma ciclo que nunca termina. Nem quando renascemos no Àiyé paramos de aprender. Mas manter o awo do nosso Ilè Àse é de suma importância.

Hoje em dia os adolescentes e os jovens em geral são curiosos e afobados por demais. E com o livre acesso a uma gama infinita de informações dispostas na internet fica mais difícil filtrar o conteúdo correto do deturpado. Mas qual é a veracidade das informações on line? Será que a receita de uma feitiço, disponível numa Home Page qualquer serve para todos os tipos de pessoas? Será que não é necessário um preparo para manipular aqueles ingredientes mágicos? E o respaldo? Qual é a diferença, para a espiritualidade, de um Adosu ou iniciado não Adosu para um simpatizante com a religião sem nenhum tipo de iniciação?

Todos querem ter o poder de modificar a vida dos demais à sua bela vontade. E as vezes os desejos são vis. Ínfimos de grandeza e significado, desejos desnecessários.

São muitas questões que posso levantar. É só parar, analisar o comportamento humano e escrever. Falando em ser humano acho importante valorar as ciências sociais que tentam analisar e catalogar o comportamento da mente humana. A psicologia é um campo mágico e infinito das ciências humanas – uma área que será sempre incerta, aproximada e mutante.

Como pode uma pessoa (dentro do processo de iniciação) jurar com tanta empáfia obediência ao seu orísá, respeito a seus irmãos de santo, consideração e gratidão ao seu Bàbálòrísá e seus Egbonmi e se comprometer em zelar pelo awo daquela casa e fazer exatamente, ou parcialmente o oposto? Atos de revelia gratuita, sem um pesar na consciência, sem ser responsabilizado pelo orísá (pelo menos aparentemente). Depois que as coisas começam a dar errado ficam rogando a clemência do orísá querendo que sua situação seja resolvida num passe de mágica. É inquietante assistir casos similares a esse.

Um Egbonmi certa vez me disse: “Não escolhemos nosso orísá, é ele que nos escolhe. Nós mais velhos não colocamos orísá na cabeça de ninguém. Só limpamos o canal mediúnico e ajustamos a sintonia da comunicação. Zelamos para que ela, a comunicação, melhore e aprimore cada vez mais”. É um ensinamento belíssimo e valioso. Meu mais velho me passou o Àse dele e eu recebi aquele ensinamento com toda a atenção.

Mas não penso em desistir, pois tenho uma missão dada pelo orísá patrono da minha casa (Òsóòsí). Devo muito respeito a ele. E acredito que a flecha dele está apontada para meus inimigos, assim como está pronta para auxiliar os amigos.

Que assim seja. Ìyá Sure fun o!

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Opa!

•28/02/2011 • Deixe um comentário

Venho contar uma novidade ao leitor do Originalidade Atípica. Estou escrevendo para uma revista eletrônica que está recheada de bons textos e de pessoas bacanas. A Revista Opa nasceu de uma ideia de colocar em prática um espaço no qual as pessoas pudessem escrever sem um padrão estabelecido e delimitado da forma particular que enxerga o mundo. Nossas subjetividades se misturam nesse mosaico eletrônico. O que não foi dito? é o texto publicado por mim. Acesse e comente.

Vem aí: A sua Radionovela on line

•21/09/2010 • Deixe um comentário

O Blog Originalidade Atípica  disponibiliza uma rádionovela on line (podcast). Os capítulos vão ficar disponíveis de 15 em 15 dias. Você leitor do Blog vai ajudar na cosntrução e na criação das histórias.

Comente o post, acesse o twitter @luizrister ou deixe seu recado no Facebook.

Segue a primeira história Panoramas da Comunicação

Porque temos que ser todos iguais?

•16/09/2010 • Deixe um comentário

“Independência ou morte” foi gritado às margens serenas do Rio Ipiranga em 1822, mas não é bem isso que vemos na estrutura comportamental social no Brasil e do mundo. Porque temos que ser iguais ou nos enquadrar num padrão hegemônico pré-estabelecido.
Em movimentos como a última Parada Gay de Salvador no domingo (12) Gays, lésbicas, transexuais, Drag’s Queen, travestis, transformistas e simpatizantes se uniram numa tarde nublada nas ruas no centro da capital baiana.

Ser e expressar o que realmente é ou o que gostaria de mostrar não é simples. Existem barreiras sociais que são reconstruídas, transformadas, adaptadas e algumas mantidas. O preconceito é algo mutável e esperto, sabe se camuflar muito bem. Se mostrar um homem feminino ou uma mulher masculinizada (estereótipos não comuns ou aceitáveis) tem data marcada. A estrutura da festa alimenta o imaginário dos integrantes a liberar fantasias ou vontades acumuladas. O gueto gay ganha as ruas da cidade.

Ana Carolina fez um desabafo tomada de emoção enquanto caminhava ao lado de um dos trios da passeata. “Tenho orgulho na minha orientação sexual. Quero ser aceita, ser eu mesma em qualquer lugar do mundo”, conta Carolina.

“Já conquistamos muita coisa. Meu companheiro poderá receber benefícios quando eu morrer. Só falta a legalização do casamento homossexual. Acredito que movimentos como esses sirvam para mostrar ao mundo que existimos, estamos crescendo em população, e que não somos doentes e sim diferentes”, relatou Paulo Reis e Marcos André, casados há seis anos.

A celebração que tem como símbolo o arco-íris como forma de respeito para aprender a conviver com o diferente é o grande tema ideológico do movimento. Ainda será preciso repetir essa data por muito tempo até que as paradas gays aconteçam diariamente e a sociedade não se importe com a expressão cultural alheia. “Não precisa gostar do jeito que eu sou, o necessário é me respeitar”, frase de Jeferson Souza, 25.

Um fato pitoresco dessa Parada foi a presença do padre católico Alfredo Dórea, sacerdote que dá palestras e realiza movimentos de conscientização para o público GLBT.  “Acho que Deus criou a diversidade. Imagine que fossemos todos iguais, não teria graça, né? Daqui a alguns anos a pergunta feita será: Você está bem, está feliz? E não com quem você se deita, ou transa. Acredito que com consciência e informação as coisas possam mudar”, afirma padre Alfredo.

Palestra do Padre Alfredo – parte 1

Palestra do Padre Alfredo – parte 2

Veja mais:

Professor Godoy – Curta vencedor de 4 coelhos de prata no 17º Festival Mix Brasil

Confissões da Divina Valéria à Rádio Metropole

Só por amar diferente – Vídeo sobre o respeito à diversidade

Rompendo crisálidas, processo de criação, transformação e reestruturação

•16/06/2010 • 2 Comentários

Quero contar um pouco das minhas experiências durante o período de confecção do meu primeiro livro reportagem.

O desafio de escrever um livro foi proposto no final do ano passado, 2009, quando eu cursava o quarto semestre do curso de comunicação social com habilitação em jornalismo. Produto que serviria de avaliação central do semestre seguinte (5°).

No início a idéia de ser autor de uma obra literária não ficcional era inebriante. Temi por muitas vezes antes de encarar o desafio. Me juntei a outras duas participantes que comigo formaríamos um trio. Escrever a seis mãos seria uma experiência relevante (na minha percepção inicial). Acreditava naquele ditado popular que fala: “duas cabeças pensam melhor que uma”.

Começamos a divagar sobre os possíveis temas abordados. Sugeri um recorte no qual falaríamos de instituições beneficentes que cuidasse de crianças com deficiência física ou mental. Abordaríamos as histórias daquelas crianças (porque e como elas chegaram na instituição) e dos cuidadores (responsáveis por cuidar, como enfermeiras e educadoras, dos internos). Parecia o tema certeiro até que os problemas funcionais de conseguir depoimentos (fontes) e  imagens das respectivas crianças surgiram.

Tivemos algumas discussões sobre as dificuldades do tema até que concluímos que a Pauta, na linguagem jornalística, teria caído. E agora, o que fazer? Como fazer, que objeto estudar e para que falar dele? Eram perguntas que insistiam em aparecer nas nossas mentes.

Alguns dias depois, uma das integrantes do trio, Camila (somos um homem e duas mulheres) nos falou de um sonho premonitório. “Sonhei que escreveríamos sobre religião, eu na católica, Luiz do candomblé e Fernanda da Messiânica”. Eu, que acredito nos processos mediúnicos, afirmei de uma forma eufórica “então está certo, falaremos sobre religião, mas tentaremos falar desse tema, tão batido, de uma forma diferente”.

Estruturamos uma lista dos possíveis depoentes e começamos a capturar os áudios e vídeos. Isso sem um projeto escrito ou uma idéia totalmente fechada, em esquema organizado. Fomos recolher relatos de fé ligados às vertentes religiosas escolhidas sem uma linha editorial.

No começo tudo eram flores. Os três integrantes comprometidos, assíduos, presentes nas entrevistas. Até que as brigas, dispersões, conflitos, divergências começaram. “Você esta trabalhando menos do que eu. Seu comprometimento com o livro é quase zero”. Eram algumas frases verbalizadas em encontros de equipe. “O tempo esta passando, temos prazo”. O desespero começou a ser meu amigo mais íntimo. Fingia estar, sempre, tudo bem, sendo que por dentro minha mente gritava, alucinada com as cobranças externas, e internas (sou perfeccionista).

Foi quando o primeiro professor orientador nos pediu: “reescrevam tudo, a estrutura narrativa não está clara”. O desespero duplicou, a vontade de desistir, de mudar o tema, de fazer sozinho permearam meus pensamentos. Pensei comigo mesmo “se eu desistir estarei mostrando uma fraqueza atípica. Não posso esmorecer, entrar no desestímulo, vou persistir”. Conseguimos em seguida, reescrevendo o livro, agradar o orientador na questão narrativa, concluindo assim o primeiro capítulo do livro.

Chegava ao fim o ano letivo e algumas entrevistas tinham ficado pela metade. Era preciso concluir depoimentos, realizar apurações, mas minha equipe simplesmente desapareceu negligenciando, ao meu ver, todo um processo que tinha sido começado. Outra incógnita nos meus questionamentos. “Será que estou fazendo a coisa certa? Para que insistir nesse projeto findado a desistência mútua?” Eu me torturava mentalmente, até que relaxei e engavetei o projeto também.

Quando o ano letivo de 2010 iniciou, voltamos a nos encontrar (a equipe) e a reativar o projeto lentamente, em doses homeopáticas. Tínhamos uma nova orientadora com a postura divergente do orientador inicial.  “Será que ela gostará do projeto? Estou sentindo vibrações estranhas. Como será a forma de lecionar dela?” Eram outras perguntas que me fazia.

Algumas discussões foram travadas em sala de aula porque vi na nova orientanda uma postura muito diferente da que estava acostumado. Não concordava com alguns padrões estipulados e estabelecidos. Tinha receio da avaliação dela sobre nosso capítulo inicial.

A orientadora, por sua vez, começou a sugerir leituras de livros-reportagem que marcaram a cena literária mundial e nacional como, por exemplo, Caso Escola Base – os abusos da imprensa de Alex Ribeiro e Hiroshima de John Hersey.  Livros com abordagens e narrativas totalmente divergentes, porém complementares. Os livros estimularam em mim uma nova visão na forma de escrita.

Paralelamente, a professora orientadora leu nossa produção e nos sugeriu reescrever o texto modificando algumas coisas. Resisti a admitir uma possível mudança. A história e sequência do livro estavam tão claros, pelo menos eu achava. Na minha cabeça que era impensável mudar.

Complementando os estudos teóricos a professora montou um debate (contendo  fragmentos do livro Hiroshima) e exibiu dois filmes contendo histórias de construções narrativas diversas. Estimulou com isso minha criatividade, minha forma de costurar as idéias, de receber críticas, de tentar entender o movimento das minhas colegas de equipe, de tentar compreender a forma de pensar do outro e a velocidade com que isso acontece.

Engoli muita coisa, falei e externei muitos incômodos, tive diálogos de reflexão dos movimentos individuais e coletivos, briguei pelo livro. “Eu dou sangue nesse projeto, será que vocês não podem fazer o mesmo? De preferência na mesma intensidade e qualidade”, desabafei numa certa reunião.

Tentava organizar os pensamentos que teimavam em se desorganizar na minha mente. Queria juntar os ensinamentos que cada livro e filmes me trouxeram. Escola Base que me ensinou a importância de apurar, esperar o momento correto e divulgar uma informação fiel a realidade dos fatos apurados. Escrever é uma arma branca, a depender do intuito e do objetivo você pode enaltecer, beneficiar ou destruir a imagem e a vida de alguém. O autor de Hiroshima me mostrou maneiras de contar, com elementos visuais e sensoriais, uma história verídica, não ficcional, de numa maneira gostosa, leve, criativa, uma costura bem trabalhada deixando a leitura não cansativa. 

Nos filmes, o personagem Antonio Biá (do longa metragem, Narradores de Javé), destaco a criatividade no ato de extrair, poetizar sem perder o cunho real, factual da história, me estimulou a fazer o mesmo. Tudo isso com muita criatividade, amor e interesse pelo produto final.

No longa metragem Capote, se vê um tino, um faro jornalismo meticuloso, buscado e rigorosamente calculado, manipulado. Engendrado com a arte da escrita sedutora, rica em detalhes, fazendo com que o leitor reconstituísse o caso, o passo a passo, o quebra cabeça de uma investigação mentalmente. Um dos “erros” do jornalista investigativo, Truman Capote, foi ter se envolvido, de uma forma excessiva, com o caso, incluindo os envolvidos na cena do crime (a história do livro reportagem “A sangue frio” relata um assassinato de quatro pessoas da mesma família de uma forma brutal nos Estados Unidos).

A sequência final dos conteúdos textuais e audiovisuais trazidos pela professora orientadora foram três poemas de Manoel de Barros nos quais existiam lacunas a serem preenchidas com palavras que fizessem sentido. Exercício parecido com os das cartilhas de alfabetização que é preciso completar a palavra com vogais ou consoantes fazendo com que a criança raciocine logicamente. Só que o exercício proposto pela professora universitária era mais complexo, pois havia necessidade de entender o poema, refletir sobre ele e sugerir as possíveis palavras para encaixar, dando sentido, àquele contexto.

Os poemas de Manoel me fizeram refletir toda a minha caminhada em que estive envolvido na concepção desse livro reportagem. Quantas vezes pensei em desistir, quantos porquês me vieram a cabeça como, por exemplo: “porque eu estava no sonho de Camila? O que esse trabalho quer me ensinar? Porque trabalhar em grupo é difícil, complexo e complicado? Por que chegar a um consenso, sendo três cabeças pensantes, é quase uma guerra fria diária?”. Claro que ainda não consegui responder todas essas, e mais um milhão de  perguntas que minha mente formula por segundo, pois o processo de escrita e recolhimento de histórias ainda não chegou ao fim. E mesmo quando concluirmos o livro reportagem, acredito que não terei a resposta de um terço das perguntas formuladas, caso as perguntas até o final do processo sejam as mesmas.

Não está sendo fácil e, muitas vezes, prazeroso, realizar e concluir esse desafio. Como será nosso relacionamento e nossa posturas mentais, após a quebra de vários paradigmas e certezas abaladas, metamorfoseadas no caminhas dessa aventura? Não sei. Só sei que entrei em vários casulos (crisálidas) no decorrer da feitura do livro e rompi com todos eles me transformando em um outro ser, com asas, porém, nem sempre mais leve. Perder a vontade e o fogo da vida de tentar, de cair e levantar, de persistir não estão nos meus planos. Como diz uma reza que conheço e faço uso dela diariamente: “E se meus pés por dúvida ou pouca fé se fizerem tortos reclusos ou teimosos, que estes lamentem-se de si mesmos, pois de mim não hão de ouvir queixar […] E diante do sol de cada dia, levanto-me com a força e a destreza do guerreiro, a alegria e a inocência da criança e a esperança dos dias mutáveis”

Escrevi tudo isso porque a professora orientadora solicitou. Realmente a angústia, a irritação, o peso e a tensão associados ao fator tempo tem deixado essa caminhada penosa e árdua, com muitas agruras, mas em compensação estou recebendo tantos presentes, aprendendo tanto conversando com pessoas diferente, com vidas divergentes tendo pontos em comum. Relatos de amor, desilusão, raiva, paixão, persistência, cura e de fé que fazem com que minha fé se reestruture e fique cada vez mais firme. Confiar nesse mundo invisível ou quase transparente, que é o mundo divino, da espiritualidade, regiões paralelas que se inter-relacionam e aprendem mutuamente, é o grande desafio. Gostaria realmente de entregar essa carta desabafo a alguém. Ao final do meu livro, essa carta à qual acrescentarei elementos novos (com formato de desabafo) irá para o meu espaço virtual (blog) para que todos saibam, tomem posse dos percalços e das coisas boas que envolvem um processo criativo de um livro que trata de um assunto polêmico. Como dizem os mais velhos: “Religião não se discute” Eu comprei o desafio de discutir religião sim e pretendo publicar o livro “Fé, vidas, escolhas”, nome do meu livro reportagem num futuro próximo.

Pausa

•14/04/2010 • 1 Comentário

Em respeito ao meu movimento estudantil estou deixando temporáriamente de postar novidades do Originalidade Atípica. Voltarei a postar a partir de maio, ou quando estiver com meu tempo administrado corretamente. Não estou conseguindo fazer isso por enquanto.

Peço a compreensão dos leitores do espaço.

Como se comportar nas ruas?

•21/03/2010 • Deixe um comentário

– Largue minha mão rapaz! Você já esta grandinho para isso.

O fragmento acima foi um diálogo de uma pai com o filho quando passeavam no parque de diversões. O filho, com 16 anos, tem um medo anormal dos brinquedos, mas o machismo do pai não permite esse ato de amor e carinho em público.

Dar as mãos nessa hora é admitir um tipo de fraqueza, de doença, de problema?   

Qual o limite de idade para andar de mão dadas?

Quais circunstâncias podemos dar as mãos?

Quais tabus estão inseridos nesse ato físico?

Isso existe com ambos os sexos?

Exigir o mesmo comportamento de todos é algo surreal, pois não somos iguais. Existem pessoas mais carinhosas, grudentas, pegajosas, amorosas e pessoas mais ríspidas, casmurras, introspectivas, calorentas, individualistas que reagirão diferentemente ao toque, a gestos de carinhos com abraços, mãos dadas, beijos, etc.

“Não gosto de andar abraçado com ninguém. Sinto muito calor e aquele contato físico me incomoda. As vezes cedo quando estou interessado na pessoa, mas muito pouco. Pensam que sou frio”, conta Eduardo Lima, 22.

Entre pessoas do mesmo sexo as restrições são voltadas ao público masculino. “Homem que é homem não anda de mãos dadas com outro marmanjo. O que vão pensar? Só os gays fazem isso”, afirma João Pedro, 19.

Esse é um pensamento coletivo da maioria dos homens. São raras exceções. Quero deixar claro que estou falando da nossa cultura, brasileira, ocidental. No sul da Ásia, por exemplo, não só casais andam de mãos dadas; homens também o fazem, é até um sinal de amizade.

Há também um simbolismo no soltar as mãos. Pelo menos quando são dois homens e a relação deles é de pai e filho. O pai determina uma idade de soltar a mão do filho simbolizando maior idade e ou responsabilidade. “Você esta crescido e pode caminhar com as próprias pernas. Foi o que meu pai disse quando eu tinha 14 anos”, relata Pedro Luís, 48.

Carinho, namoro, amor, posse são sentimentos relacionados ao ato de andar de mãos dadas. Sobre o item amor, não precisa ser necessariamente o amor carnal entre um homem e uma mulher ou entre homens e ou mulheres e sim um carinho incondicional, uma permuta de confiança, de gostar, de cuidado, atenção.

“Eu gosto de andar de mãos dadas, mas as pessoas se incomodam com a transpiração excessiva das minhas mãos. O gesto me passa sensação de amizade, confiança, amor. Não é qualquer pessoas que você abraça, aperta a mão, ou faz carinho no rosto. Muita gente eu cumprimento com os beijos falsos no rosto. Para mim beijo no rosto significa frieza ou falta de intimidade”, descreve Aline Lima, 22.

Não conseguimos encontrar a origem do ato de andar de mãos dadas. Esse ponto é inexato. O fato de andarmos de mãos dadas nos acompanha desde a infância quando nossos pais e ou familiares nos auxiliam a aprender a andar. Quando somos crianças maiores nos dão as mãos em forma de observação, cuidado; quando entramos na adolescência as mãos representam um guiar, um acompanhamento, uma amostra dos caminhos “corretos”, um auxílio; e a soltura ocorre quando atingimos a maior idade (idade que diverge para meninos e meninas). Após a vida adulta a representação, petrificada, que se tem de duas pessoas de mãos dadas é geralmente de relacionamento amoroso.

Dar a mão a alguém significa ajudar esta pessoa; é a expressão de um amparo que pode ser prático, mas é emocional também” (Moacyr Scliar)

Logo vemos que é algo muito macro para ser discutido em poucas linhas. São muitos pontos de vista, possibilidades, muitas histórias de vida, formas de estar ver e viver no mundo.