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Segue o link de um conto premiado no Prêmio Newton Sampaio 2009, promovido pela Secretaria de Cultura do Paraná, escrito pelo professor Marcus Vinícius Rodrigues que atualmente leciona da Faculdade 2 de Julho. Com o conteúdo homoerótico o conto movimenta questões importantes “invisíbilizardas” na correria do dia a dia. Na rapidez que vivemos nossas vidas líquidas.
Chama-se A omoplata. Divirtam-se.
Falar de amor e declarações de sentimentos verdadeiros é uma pauta interminável e infinita. Muitas das nossas ilusões, sonhos e desejos coletivos estão direta ou indiretamente ligados ao amor. É um sentimento básico que alicerça todos os outros.
Nas tramas cinematográfica é ele, o amor, que movimenta as ações mais viscerais, mais verdadeiras, mais profundas. Desde quando me entendo por gente se fala, ilustra, discute e tentam entender o amor e sua nuances. Formatando suas mil faces numa coisa linear e muitas vezes banal.
Ontem ouvi, visualizei e chorei com uma linda e profunda declaração de amor. Na verdade era muito mais que amor, só que aqueles sentimentos juntos e misturados não possua uma nomenclatura tangível. Foi algo de pai para filho, frases entoadas em alto e bom som para todos que estavam presentes na sala pudessem ouvir. Só lembrei do meu pai, pois tinha muita coisa para dizer a ele antes do acidente que ocasionou sua morte e não falei.
Por isso vai um pedido para as pessoas que guardam ressentimentos, mágoas, coisas mal resolvidas, por orgulho, vergonha, timidez ou por falha de comunicação. Façam as relações se tornarem mais leves e resolvidas. Não cultive entraves, nó, amarras na garganta, pois as vezes a resolução é simples, casos de falhas de comunicação e ou interpretação.
Esclareça seu ponto de vista sempre. Por mais que a outra pessoa reaja mal.
Afinal de contas “seu ponto de vista é a vista de um ponto”.

Que resolvamos nossas relações ainda nesta vida para que nas próximas nossos caminhos sejam mais leves e limpos. Que tenhamos tempo de realizar os projetos almejados e de quebra sempre fazer ao bem. Ter uma consciência tranquila.
Podemos mentir para todos ao nosso redor, menos para nos mesmos. Cabeça erguida, honestidade em nosso atos. Que saibamos dosar a soberba, a raiva, a cobiça, o orgulho, entre outros sentimentos que atravancam o processo evolutivo.
“Religião não muda ninguém, ela apenas te dá argumentos para reflexões diversas”
Ouvi essa frase, na verdade um similar dela, hoje a tarde e automaticamente comecei a refletir.
Não consigo entender algumas posturas de religiosos independentemente da opção de crença. Para mim todo o fissura é prejudicial. Nada contra os religiosos fervorosos que praticam a sua crença assiduamente, mas tem uma hora que ultrapassa do limiar da razão para uma loucura induzida. O pastor, padre, pai de santo, ou mentor espiritual se torna o dono da verdade universal e seu grau de decisão e ponderação é anulado (chega a ficar perto do zero).
Não entendo como uma pessoa que viveu no “mundo” quando ingressa nas inúmeras igrejas distribuídas pelo Brasil começam a proferir que não pertencem mais ao mundo. Como se fossem superiores ou estivessem protegidos de quaisquer agrura da vida cotidiana. Não escuto mais “músicas do mundo”, não freqüento mais os bares nos quais fazia farra ou bebia compulsivamente, deixei de ser homossexual quando encontrei Jesus, etc. Quando hipocrisia!
Não censuro ver os gostos mudarem após o ingresso de uma determinada pessoa num grupo de indivíduos religiosos que escutem um determinado tipo de música, que ajam de forma parecida ou freqüentem lugares comuns para se divertir e compartilhar a palavra sagrada, mas o extremismo me deixa inseguro dos benefícios que a mudança traz. Com o sentimento de soberba surge as intolerâncias, o fanatismo, as loucuras, as entregas que nem sempre são valorizadas pelo social.
Meu vizinho, por exemplo, escuta música evangélica nas alturas nos finais de semana. Será que ele gostariam de ouvir pagode, ou axé ou alguma outra música com letras românticas ou versos que tragam a reflexão? E os filhos do meu vizinho que são adolescentes, será que a obrigatoriedade de ouvir aquilo é bem aceito? Se for até quando. As vezes me lembro dos filmes de ficção científica que fazia lavagem cerebral.
Em que local ou escrito da Bíblia que dizendo que religião tem que ser imposta? Porque filhos de evangélicos não poder ser Espíritas, ou messiânicos?
O Fanatismo se transforma em intolerância religiosa e cegueira para discernir e ponderar outras possibilidades a não ser as regras impostas pela doutrina religiosa escolhida.
Algum de vocês que lêem esse espaço virtual já parou e pensou nisso? Esse ano eu comecei umas reflexões seqüenciadas que estão dando prazer e trabalho para degustá-las. Vivemos num processo constante de antropofagia cultural. Como mudar isso? De que maneira podemos ser diferentes sem agredir ou sermos agredidos? Respeito é uma saída possível. 
Amigo secreto de final de ano é, para mim, uma enxurrada de hipocrisias. Sendo em família, no trabalho ou na faculdade. Não generalizando claro.
Confesso que a interação da minha família se tornou esporádica, geralmente em eventos espaçados, datas comemorativas. Claro que permiti esse afastamento, sem entender os reais motivos. Muitas vezes não sinto vontade de estar reunido e não sinto vontade de ficar ligando ou encontrando meus tios e primos. Também não sinto a vontade recíproca deles para comigo. Logo nossas intimidades mudam e o tempo faz com que uma pessoa mude seus gostos e desejos. Então se monta algo tão intimo como amigo secreto, uma brincadeira bem humorada que te faz tentar lembrar os gostos da pessoa sorteada para comprar uma lembrança ou um presente. Com o afastamento e a perda de contato como saber o que o outro gostaria de ganhar?
“Vou perguntar a uma pessoa próxima o que fulano gosta”. Essa é uma idéia comum. Mas, eu questiono, qual o carinho colocado na compra do objeto, o que você quer proporcionar ao sorteado com aquilo?
Outro constrangimento, pelo menos para mim, é a hora de descrever o amigo secreto. “Meu amigo secreto gosta de Sol, é sempre alegre e tímido…” As vezes a pessoa não é mais nada daquilo e faz cara de paisagem para receber o presente tão esperado. Gostando ou não, culpa de uma tal educação que nos foi ensinada, dizemos “ adorei o presente, você parece que adivinhou”. Pura mentira, as vezes alguém acerta, mas na maioria das vezes a bola bate na trave.

Nesse ano, no grupo da faculdade, tive coragem de dizer um não ao convite para participar do amigo oculto. “Não quero participar porque eu odeio amigo oculto”. Olharam para minha cara com espanto como se dissessem “que mal educado. Poderia dar outra desculpa e não falar isso”.
Senti orgulho de mim mesmo por conseguir externar esse sentimento.
E após a troca de presentes geralmente vem a ceia. E junto com a comida vem aquelas orações intermináveis citando o amor, a paz a união. Aquilo me irrita. Existe um respeito pela crença dos meus parentes, mas mesmo assim me cansa, pois sei que aquilo, em uma proporção, é pura hipocrisia. Porque o sentimento de amor só uni os amigos, primos, tios, avós no final do ano? E depois da festividade, das resenhas, dos encontros, das conversas não se permanece nesse sentimento de amor?
Estava pensando numa oração que eu faria no momento da ceia.
“Espero que momentos de união sincera aconteçam sem ter uma desculpa externa. Independente no nascimento ou morte de Cristo que consigamos amar o outro como a ti mesmo utilizando um ensinamento deixado pelos antigos. Que os olhares na roda e na mesa sejam honestos, não me tolere por algo maior, me respeite, me entenda, chegue para o outro e questione os motivos do afastamento, quando existirem, claro. Exclua o sentimento de algo interrompido ou inacabado. Fale olhando nos olhos, toque, abrace, sinta o pulsar do corpo do outro. Tapinha nas costas não é demonstração de carinho é sinal de distância e afastamento. Porque o sentimento que você tinha por fulano ou beltrano mudou? Quer falar sobre isso? Vamos eliminar as mágoas colocando os incômodos para fora, vamos buscar ser felizes agora, porque o tempo não para. Completos na nossa essencia. Que assim seja”
Minha geração esta se tornando adulta e com isso os parâmetros e os
referencias mudam. O que você acredita muitas vezes muda com o passar dos anos, suas verdades se reciclam. Não sou mais aquela criança inocente e ingênua. Meus primos também já são, na maioria adultos. Cabeças mudadas, famílias e laços construídos e desfeitos. Visões de família e o simbolismos particulares e individuais. Espero que o elo central da nossa família não quebre. Tenho receio dos próximos natais, quando nossos pais não estiverem mais aqui. Em que casa iremos nos ver? Será que alguém vai querer levar as suas famílias para esse encontro anual? Ou iremos nos trancar ou nos permitir ficar em novos núcleos familiares construídos por nós? Perguntas que não sei responder agora, mas que não custa nada começar a pensar.
Como diz a Globo “ o futuro já começou”. Feliz 2010 a todos.
Após um longo recesso comunico aos leitores do Blog Originalidade que muitas novidade estão por vir.
Andei conversando com algumas pessoas sobre a postura e o conteúdo do Blog e resolvi acatar as sugestões construtivas.
Prometo que revisarei mais os textos para não faltar coesão e coerência. Espero que os assuntos sejam oportunos profundos. Não pretendo fazer analises superficiais e ou escrever pouco para agradar os preguiçosos (escrever muito com conteúdo é diferente de ser prolixo e vazio). Treinarei a objetividade, tentarei ter animo para sempre deixar esse espaço atualizado, mas caso contrario espero que entendam ou respeitem o momento.
Essas foram algumas reflexões após as sugestões.
Para fechar esse post quero compartilhar um e-mail que recebi na virada do ano. Assim que li entrei em contato com o remetente da mensagem e disse: “não teria melhores palavras para expressar meus votos de feliz ano novo (ocidental)”. Segue abaixo o e-mail.
[Agradecimento Especial aos Meus Amigos, Familiares & Agregados]
Às pessoas que estiveram comigo até hoje, obrigado por existirem e por fazerem parte da minha vida. Aos que já partiram, obrigado por terem existido. Às que me apoiaram e estiveram comigo quando precisei, obrigado pelo companheirismo e por tudo de bom que me proporcionaram. Aos que perderam um pouco o contato pelos desencontros da vida, mas que continuam ligados a mim sem alteração dos sentimentos e que serão sempre às mesmas amizades, não importanto quanto tempo se passe, obrigado pela conquista incondicional! Aos que namoram e se afastaram porque fagocitaram em seus relacionamentos, esquecendo das relações extra-conjugais, lembrem-se que um dia o namoro acaba, mas as amizades ficam. Às novas amizades, um obrigado especial por me resgatarem da solidão, quando achei que estavam todos ocupados demais, namorando! Aos que ainda estão por vir, saberão quando estarei grato ou não pelas surpresas que me trarão consigo, cada um. Enfim, desejo a todos um 2010 cheio de excelentes realizações, muita saúde, dinheeeiro, paz, amor, companheirismo e que a vida ensine as lições mais importantes. Que saibam sempre priorizar o amor e a amizade, sempre dosando com equilíbrio em ambas as partes! Que aprendam a se amar cada vez mais, esquecer os próprios defeitos e enfatizar as qualidades, agradecendo sempre pelo que tem hoje e não reclamando pelo que não conseguiu. Que continuem insistindo sempre, conquistando novos objetivos e seguindo em frente! Desejo muito mais saúde que qualquer coisa e que as experiências da vida, ainda que nos calejem, nos torne sempre pessoas melhores. Aos que estiverem comigo na virada, darei o meu abraço pessoalmente, aos que não estiverem, sintam-se abraçados, sempre! Que 2010 seja para todos o início de uma nova etapa!Agradeço todos os dias pela família que tenho e pelos amigos que conquistei e venho conquistando a cada dia, pois essas são as duas maiores preciosidades que tenho na vida!
São os meus sinceros votos para 2010! Feliz ano novo!

Ó Santa Luzia, que preferistes que vossos olhos fossem vazados e arrancados antes de renegar a sua fé e compuscar vossa alma; e Deus com um milagre extraordinário, vos devolveu dois olhos perfeitos para recompensar vossa virtude e vossa fé, e vos constituiu protetora contra as doenças dos olhos. Eu recorro a vós para que protejais minhas vistas e cureis a doença de meus olhos. Ó Santa Luzia conservai a luz dos meus olhos para que possa ver as belezas da criação o brilho do sol, o colorido das florestas e o sorrido das crianças. Conservai também os olhos de minha alma, a fé, pela qual eu possa compreender seus ensinamentos, reconhecer o seu amor para comigo e nunca errar o caminho que me conduzirá onde vós Santa Luzia, vos encontrais , em companhia dos Anjos e Santos. Santa Luzia, protegei meus olhos e conservai minha fé. Amém
Estava acessando o orkut de Mariene de Castro para saber a data do primeiro ensaio do Santo de Casa 2009 e encontrei uma oração para Santa Luzia. Mariene canta essa reza em forma de súplica, num momento dramático do Show. O que me fez olhar a letra dessa reza e da devoção a essa Santa com outros Olhos.
Durante esse post surgiu uma dúvida sobre o significado da palavra compuscar e por isso pesquisei na internet sinônimos, significado em dicionários. Na pesquisa descobri que o dia 13 de dezembro se comemora o dia da Santa Luzia e fiquei mais emocionado ainda. Espero que essa oração modifique a forma que temos de olhar as coisas ao nosso redor. A pesquisa sobre Santa Luzia me fez lembrar do longa metragem Janela da Alma. Aproveito para indicá-lo para as férias.
Pra mim chega! Cansei dos seus gritos, da sua falta de paciência, do seu controle, da sua marcação. Não quero mais isso para a minha vida. Essa relação infeliz de dependência.
O pior é que tenho a certeza que ainda não consigo ficar sem você, sem o seu carinho bruto, sem a sua disponibilidade.
Mas um dia eu consigo organizar meu mundo interno e, só assim, poderei abandonar você.
Posso fazer mais. Quem sabe te trocar por outro que não grite tanto. Será que vou acostumar. De uma forma ou de outra já acostumei com seu jeito ouriçado de ser.
Cadê que você se preocupa em mandar flores ou levar o meu café da manhã na cama. Seu compromisso é puramente despertar. E o pior, no melhor do sono, na parte mais emocionante dos meus sonhos, naquele espaço que sempre achamos que podemos dormir mais 15 minutinhos.
Soneca? Que porre de função é essa. Parecem sessões de gozo interrompido. Aquilo é desgastante.
Que merda é meu sistema biológico que necessita de um elemento extra para funcionar. Que saco ser despertada todas as manhãs da mesma forma.
O pior é que não tenho outro alguém para realizar a sua função. Até quando terei que viver contigo?

A Faculdade 2 de Julho realizou na última sexta-feira, 27, o I Festival do Minuto da instituição. Tive meu vídeo inscrito e exibido nesse festival. Infelizmente não fui premiado, mas valeu muito a pena, pois exercitou a minha criatividade e esforço. Meu vídeo foi confeccionado todos por mim, roteiro, gravação e edição. Tive muitas ajudas e participações especiais. Quero agradecer a Itana que cedeu e disponibilizou o local para as tomadas internas e a todas as pessoas que opinaram (críticas construtivas) durante o processo de edição.
- Alô, amigo! Pode falar?
- Posso.
- Tive um sonho com uma entidade do candomblé. O nome dele era Exu que aparecia e sumia toda hora brincando comigo. Fazia charadas, falava em enigmas e perto de acordar ele, a entidade, mandou tomar cuidado com a saúde.
- O que eu faço?
Falou Cristina desesperada para Marcos, seu amigo de faculdade.
- Não sei como posso te ajudar. Interpretar sonhos é complicado.
- Ah! Já sei!
- Olha Cris, nunca te contei, mas eu pertenço a um terreiro de candomblé da nação ketu e acho que posso te levar no meu pai de santo para um jogo de búzios. Quem sabe esse sonho é uma premonição ou um recado de um orixá?
Marcos, que não gostava de anunciar aos quatro ventos que é de candomblé por inúmeras questões, abriu sua vida religiosa única e exclusivamente para ajudar Cristina pondo-se à disposição.
- Eu só te levarei se for da sua vontade. Não tenho idéia nem previsão das coisas que podem sair no jogo de Ifá. Agora tenho que desligar. Depois nos falamos.
Cristina, mesmo com a disponibilidade de Marcos, continuou com o coração apertado, aflito e preocupado, pois não entendia o simbolismo do sonho. Ela passara por um período delicado na vida pessoal e familiar – seu pai enfrentava problemas ligados ao alcoolismo.
Após finalizar a ligação de Marcos ela imediatamente ligou para Barbara, outra amiga de faculdade e disse o mesmo texto.
- Binha, pode falar?…
Barbara por sua vez convidou Cris para assistir um culto na igreja Batista na qual congregava.
Cris marcou tanto com Marcos e com Cris um compromisso religioso no mesmo dia.
- Marcos, não vou contar a Bárbara que marquei de ir contigo num terreiro. Acho que ela não entenderia. 
- Acho que você deveria falar sim, pois ele não precisa entender. O respeito esta acima de tudo.
Cris na noite anterior do culto conta a verdade a Barbara.
Bárbara, tomada de uma super proteção, não conseguiu abrir a mente para aceitar a ida de Cris num terreiro. Imediatamente ligou para um irmão da igreja que tinha sido candomblecista e tinha uma história de mágoa com a antiga religião para fazer uma pequena palesta a Cris. O relato de fé desse irmão era que a felicidade só foi plena na vida dele quando descobriu Jesus através da Batista.
Cris, inocente, foi ao culto. Ao final da reunião Barbara levou Cris até a
biblioteca da igreja na qual estava o irmão Pedro (ex candomblecista). O poder de persuasão do irmão era muito bom. A clareza do verbo e a veracidade dos fatos convenceram Cris a deixar Marcos de lado.
Marcos por sua vez esperava ansiosamente Cris ligar para ir ao terreiro.
Os momentos de espera triplicavam a angústia de Marcos que se preocupara com Cris.
- Atenda o telefone Cris. Será que aconteceu alguma coisa? O culto ficou de terminar as 11h00 – Pensava Marcos.
Cansado de esperar e extremamente irritado Marcos desiste de aguardar.
- São 14h00 e nenhum sinal de Cris. Já liguei mais de mil vezes para seu celular, mas sem sucesso e sem retorno.
Quando o relógio marcava 16h39 o celular de Marcos toca. Era Barbara, com uma desculpa esfarrapada que envolvia Cris e o suposto sumiço. Em nenhum momento Cris pega o celular de Barbara para dar um posicionamento a Marcos.
O clima entre os três amigos é de tensão e mistério. Quem estaria mentindo e porque? – imagina Marcos tentando montar esse quebra cabeça.
- Você tem algo para me falar Bárbara? – perguntava Marcos.
- Eu não!
O que significa a palavra amizade? Como ter confiança após essa grande e desnecessária mentira? A dúvida é mais dolorosa que a certeza. Quem está mentindo. O porque do silêncio de Cris? 
Dias depois Marcos encontra Barbara. Muito sabiamente após colher fragmentos de informações truncadas ele de forma indireta consegue extrair uma versão da verdade.
- Binha, você tem algo contra o candomblé?
- Tenho. Eu não gosto desse religião, pois não acredito do politeísmo. Só existe um Deus. E esse Deus é maravilhoso.
- Mas cadê o respeito pelo diferente? Você teria coragem de falar mal de uma religião para convencer alguém a não seguir determinada doutrina? Exaltando a sua religião e relatando negativamente contra a outra?
- Sim eu o faria.
- Mas como falar mal de algo que você não conhece na prática?
- Sabemos que o Crak é ruim mesmo sem experimentá-lo, justificou Bárbara.
Marcos sangrava por dentro com as respostas de Bárbara. Se ela não acredita e ou respeita a crença do outro como conviver sem máscaras? Que grande hipocrisia essa relação de amizade. O que estou fazendo aqui?
- Binha eu tenho que ir agora, você me ajudou a montar um difícil quebra cabeça. Agora todas as peças se encaixam.
Marcos saia da conversa com a certeza do ocorrido na igreja Batista no dia do culto. Mesmo assim não conseguia entender o silêncio e o afastamento de Cris.
Muito tempo depois Cris convida Marcos para um bate papo num pelo parque.
- Amigo, tive vergonha dos meus atos e por isso resolvi calar e me afastar. Fui fraca e me deixei convencer. Não sabia como te falar isso. Bárbara e o irmão Pedro foram tão convincentes. Eu estava num momento tão frágil. Não conseguia raciocinar. Quando meu telefone tocava eles diziam: Não atenda Cris é a tentação do Satanás. Me desculpe. Não sabia como falar contigo e o porque da minha fraqueza.
Marcos tinham três sentimentos dividindo o seu coração. Raiva, certeza de ter sido enganado e compaixão por Cris.
- Eu coloquei minha mão á disposição para te ajudar, pois o pedido de ajuda partiu de você. Não tenho o objetivo de convencer sicrano ou beltrano a se converter, se iniciar, no candomblé. Acredito no livre arbítrio. Creio na felicidade e no bem estar. Qual é o lugar no qual irá achar essa paz espiritual só seu coração vai dizer. Não sou dono da verdade nem quero que me vejam assim.
A conversa se encerrava. Marcos tinha a sensação de trabalho cumprido, mas sabia no fundo que aquela amizade nunca mais seria a mesma. Cris e Marco se abraçaram por mais de dez minutos numa grande e dolorosa despedida.
Ao mesmo tempo que abraçava Cris Marco lembrara de uma linda e triste canção:
A minha lera quando morrer, a minha lera quando morrer. As folhas verdes quando murcham caem, aquele abraço que eu te dei foi lindo uma despedida para nunca mais.
Solte o verbo!